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AgirAzul 816 de maio de 1994página 7

Esgoto Cloacal Já

uma idéia para o Brasil pensar

Arno Kayser

Nota do editor

Texto digitalizado a partir do exemplar impresso e ainda não revisado. Em caso de dúvida, consulte a edição completa em PDF, no link acima.

Estas pessoas não contam com coisas comuns na vida de muita gente como água encanada, esçoamento de água das chuvas e também uma coisa que poucos brasileiros têm é esgoto cloacal tratado. Outros 50 milhões estão numa situação um pouco melhor e têm acesso a um saneamento precário. Já vai aí 75 milhões de pessoas. Cerca de 50% da população total do país está em más condições de atendimento deste que é um serviço essencial tanto do ponto de vista de saúde pública quanto de impacto sobre o meio ambiente.

Mais especificamente sobre a situação dos esgotos cloacais, o quadro brasileiro é Inuito mais preocupante. Segundo o IBGE, 92% dos esgotos são jogados sem tratamento nos nossos rios e mananciais. Este dado é preocupante por dois aspectos. Primeiro, pelo aspecto de higiene. Segundo, pelo aspecto de impacto ambiental.

O lançamento sem tratamento dos esgotos cloacais nos cursos d'água é a principal forma de disseminação de moléstias no país. Em especial, verminoses e infecções do trato digestivo. O caso da cólera é só um exemplo deste problema. Ainda, segundo o IBGE, 65% "das internações hospitalares são causadas por “falta de saneamento. O que consome cerca de 2,5 bilhões de dólares por ano em tratamento hospitalar e um número muito grande de vídas humanas. Recursos que poderiam estar sendo investidos noutras áreas não fosse a falta de prioridade para esta área. À região sul não é diferente. Embora tenha altos índices de fornecimento de água tratada e esgoto pluvial canalizado, só 7% dos esgotos cloacais são tratados. Novo Hamburgo não foge à regra. Segundo dados coletados pelo Movimento Roesseler para Defesa Ambiental, só 2,6% da população tem esgoto cloacal tratado.

Segundo a OMS, para cada dólar aplicado em saneamento básico, se economiza de 384 dólares em gastos de saúde. Estes números são eloquentes para demonstrar a necessidade destes serviços que são de responsabilidade do poder público.

Além do aspecto de higiene há que se lembrar que o lançamento de esgotos in natura, nos cursos d'água, causam muitos problemas embientais. Há uma sobrecarga com matéria orgânica que gera um grande consumo de oxigênio dissolvido. O que val afetar diretamente a cadeia trófica com prejuízos principalmente para a macrofauna aquática.

Do mesmo modo, vai contaminar os mananciais e o fundo dos cursos d'água. O que prejudica a possibilidade de uso destes recursos para atividades de contato como a natação, banhos e esportes náuticos. Também os mananciais subterrâneos são contaminados pelos esgotos não tratados e mal dispostos. São comuns os casos de antigas bicas de abastecimento público hoje condenadas por contaminação. Mananciais cuja recuperação demanda um tempo muito maior do que os de superfície,.

Outro prejuízo à população é'o aumento dos gastos para potabilizar a água para abastecimento humano. No caso do rio dos Sinos, há um custo diferenciado para o tratamento da água bruta coletada mais a jusante do curso d'água. Custo que é sociabilizado por todos consumidores, na taxa d'água. Nestes pontos, é mais caro tratar a água do que rio acima. É claro que aí vai também uma contribuição do setor industrial na contaminação, mas a contribuição das cidades é cada vez mais significativa devido ao esgoto que ge- FR: Todos estes aspectos fazem ver quão importante é a questão da coleta e correto tratamento dos esgotos cloacais como parte integrante de um sistema básico de saneamento. Urge que os poderes municipais, auxiliados técnica e financeiramente pelos poderes do Estado e União, passem a destinar recursos para resolver esta questão que não pode mais ser protelada.

* O autor é eng.-agrônomo, especialista em Ecologia, presidente do Movimento Roessler de Defesa Ambiental. Rua Sen. Tarso Dutra, 106 - 93540-210 Nova Hamburgo, R$ Ee TE

Como citar KAYSER, Arno. uma idéia para o Brasil pensar. AgirAzul, Porto Alegre, n. 8, 16 de maio de 1994, p. 7. Disponível em: https://agirazul.com.br/Eds/ed8/uma-ideia-para-o-brasil-pensar.htm. Acesso em: .