AgirAzul 816 de maio de 1994página 11
Partidos, Sambódromo, Morro do Osso e os Ambientalistas: Quo Vadis PT?
José Truda Palazzo Júnior
Texto digitalizado a partir do exemplar impresso e ainda não revisado. Em caso de dúvida, consulte a edição completa em PDF, no link acima.
mente enfiou a questão ambiental no fundo do baú das promessas eleitoreiras. Dois casos exemplifica bem essa falta de noção da gestão ambiental urbana que acomete o atual executivo porto-alegrense: o Morro do Osso e o Sambódromo.
O Morro do Osso, como todos sabem, é uma das mais importantes reservas naturais remanescentes da planta urbana de Porto Alegre, onde a flora das encostas de morros graníticos pode ainda ser apreciada em sua ampla e preciosa diversidade, sustentando uma fauna ainda também exuberante. Sua preservação integral foi compromisso de campanha dos petistas atualmente eleitos, inclusive Giovani Gregol que além de vereador foi até recentemente Secretário de Meio Ambiente de Tarso Genro. Só que em 1993, o Departamento Municipal de Habitação - DEMHAB embestou de remover toda uma vila popular para o sopé do Morro do Osso, a Vila Cai-Cai, aproximadamente 900 pessoas. Apesar do previsível impacto ambiental dessa população adicional pressionando sobre o espaço do Morro, os ambientalistas, de modo geral, se conformaram com a idéia em função de seu alcance social e desde que fossem adotadas medidas de proteção do resto do Morro. Ora, eis que aí se descobre que o DEMHAB não quer “só” transferir a Vila Cai-Cai para lá, mas sim e principalmente se apropriar de aproximadamente 15 hectares da encosta florestada do Morro para a construção de cooperativas habitacionais de classe média, com a aparente conivência da SMAM, cuja posição melhorou bastante depois que Gregol saiu
