AgirAzul 816 de maio de 1994página 28
Morro do Osso
Parque
ora, só terá 30 ha em área da própria Prefeitura, da Redação
Texto digitalizado a partir do exemplar impresso e ainda não revisado. Em caso de dúvida, consulte a edição completa em PDF, no link acima.
Há os que discutam, bem «o gosto da tecnocracia, se o problema é o sambódromo ser assim ou assado, mais dois metros de altura ou largura, se vai destruir 529 árvores ou 528. O problema, para mim, é que quase 9 hectares de espaço hoje disponível para a comunidade como área verde vão ser entupidos de prédios e asfalto. Isto, para mim, é a opção política do PT de gestão urbana que não pode passar em brancas nuvens.
É ao mesmo tempo lamentável e sintomático que a única entidade ambientalista convidada para participar das reuniões do sambódromo seja a AGAPAN, cujo atual Presidente tem se desdobrado em expor uma posição oficialóide que defende o Executivo Municipal mas não só parques, alegando todo o tipo de bobajadas tecnocráticas que a AGAPAN de décadas atrás combatia. será por sua conhecida simpatia pelo PT? Será que a AGAPAN vai se transformar, na gestão atual, num mero avalista de horrores perpetrados ou intentados pela administração petista? Voltaremos ao maniqueísmo de que tudo o que vem da “esquerda” tem que ser aplaudido e os que discordam, tachados de reacionários e afastados da discussão?
Florianópolis, que é um desastre, merece apenas uma breve menção de que não apenas o Prefeito irresponsável tem feito corpo mole para criar um órgão municipal de meio ambiente, como a Prefeitura fecha os olhos para as invasões criminosas das encostas de morros, matas e manguezais, sendo cúmplice ativa da destruição do inestimável patrimônio ambiental daquela cidade. O Vice-Prefeito do PT; Afrânio Boppré, até que tenta desenvolver uma ação de defesa ambiental, mas as reuniões intermináveis para discutir minúcias com as “bases” minam qualquer esforço prático. A destruição segue acelerada.
Porto Alegre do Tarso e Florianópolis nos dão a dimensão exata de que o PT, apesar de todas as promessas de campanha e do seu canto de sereia programático no tocante à questão ambiental, não assimilou, na sua cúpula, a mentalidade ambientalista que prega nos seus folhetinhos de campanha.
O que fazer? Execrar o PT ou eliminá-lo como opção eleitoral? Negativo. Apenas devemos nos conscientizar de que todos os partidos, PT inclusive, continuam achando que questão am-. biental não é prioridade de governo e nós, militantes, somos meros penduricalhos de pipa de época de eleição, e que de preferência depois desta fiquemos dizendo amém para toda barbaridade que aparecer, sendo seremos atirados à latrina dos inimigos. É nossa obrigação exigir resultados e trabalho de quem pretende se eleger com uma plataforma ambiental. Pensem muito nisso durante 1994. Depois do que vimos por aqui, alinhamento automático nunca mais - com nin-, guém.
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