AgirAzul 816 de maio de 1994página 22
Todo munto é ecologista
navios afundados e o esbanjamento de recursos naturais
Augusto Carneiro
Texto digitalizado a partir do exemplar impresso e ainda não revisado. Em caso de dúvida, consulte a edição completa em PDF, no link acima.
A gente sai à rua, conversa sobre natureza, pureza das águas, animais e não encontra um que seja contrário a essas realidades. Pois existem os que são contra e às vezes aparecem. Onde? O episódio agressivo à natureza não foi um acidente inesperado ou natural, mas uma preparada agressão ao oceano e ao ambiente em geral. Faz mais de um ano que em frente à Angra dos Reis, estava ancorado, esperando pela solução e detalhes sobre o seu acidente normal, ainda que grave, um navio cargueiro com 120 mil toneladas de minério de ferro, valendo US\$ 4,5 milhões. Os dirigentes da companhia seguradora do navio e da carga, propuseram, para evitar o despejo no mar, a doação da carga e implementos do navio, que estava inutilizado. Os inteligentes “técnicos” das finanças públicas brasileiras negaram esta possibilidade caso a seguradora não pagasse todas as taxas de importação e então a Marinha decidiu que o navio fosse afundado a 210 milhas da costa.
Desperdícios assim tão volumosos e conscientes são evidentes agressões à natureza e devem, por nós, ecologistas, ser denunciados e analisadas suas causas e soluções. James Silveira Pizarro, um antigo incentivador e participante da luta ambiental, foi guindado ao cargo de diretor-superintendente da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, órgão estadual responsável pelo Parque Zoológico, Jardim Botânico, Museu de Ciências Naturais e Parque do Delta do Jacuí (não-implantado) e um batalhão de pesquisadores.
