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AgirAzul 816 de maio de 1994página 26

Desenvolvimento sustentado ou desenvolvimento ecologicament sustentado?

Maurício Farias

Nota do editor

Texto digitalizado a partir do exemplar impresso e ainda não revisado. Em caso de dúvida, consulte a edição completa em PDF, no link acima.

ços desta: rua Cabral, 151 Porto Alegre, RS Desenvolvimento Sustentado ou a Desenvolvimento Ecologicamente Sustentado? MAURÍCIO FARIAS * À crise que vivemos no Rio Grande do Sul, no Brasil, bem como no planeta Terra (nossa casa cósmica) é no fundo a mesma crise ambiental.

É uma crise de modelo civilizatório baseado em tecnologias de alto impacto ambiental, crescimento ilimitado e acrescidos a isso a questão da gestão econômica e política (riquezas e decisões). A idéia de sustentado está ligada a capacidade de sustentabilidade e auto-regulação dentro de um ou entre vários ecossistemas. E desenvolvimento é o tipo de intervenção humana (tecnológica) capaz de transformar o meio ambiente, podendo ser de alto impacto ou de tecnologia branda e renovável ou não renovável.

O modelo predominantemente utilizado no planeta tem sido o de alto impacto e de utilização de fontes de matérias-primas e energias não renováveis. E por insana “casualidade” são os que favorecem maior concentração de poder econômico e - político.

A nossa civilização urbano-industrial absorveu o termo sustentado para a insustentável dinâmica de produção e consumo dos recursos naturais nesta nossa casa (Terra), que são finitos e estão próximos ao esgotamento. No plano da política, as ideologias e experiências do socialismo estatal e capitalismo não resolveram e agravaram ainda mais a crise ambiental pois suas bases industriais são as mesmas.

Neste aspecto devemos priorizar os investimentos em ferrovias do que em auto-estradas, construção de diversas pequenas e médias hidroelétricas do que uma imensa usina, fecharmos Angra I e II e investir em tecnologia solar, investir em biodigestores, reciclagem de matérias primas encontradas nos lixões, produção de alimentos para o consumo interno e não mais a prioridade da monocultura de exportação, reforma agrária tendo como direito de propriedade o uso-fruto e não a propriedade privada, os investimentos sociais do estado devem favorecer as pequenas e médias indústrias, descentralizar a produção de bens, bem como os grandes aglomerados humanos e etc.

Outro aspecto fundamental é o de ecologizar as decisões, devendo caminhar para algum tipo de democracia-direta, cogestão ou autogestão social. Estas experiências podem aumentar em quantidade e qualidade a responsabilidade das pessoas pelos rumos do nosso planeta.

E já que estamos em períodos eleitorais é importante que nos posicionemos no sentido de ver que setores podem favorecer a ampliação dos estados democráticos e que setores não favorecem. Não deixando de lado a independência política de nossas organizações.

Saudações Ecológicas!

* O autor é membro da ADEPAC, roteirista e diretor do vídeo da APN-VG “Gravataí: o Rio que Você Bebe” e padeiro integral.

ços desta: rua Cabral, 151 Porto Alegre, RS Desenvolvimento Sustentado ou a Desenvolvimento Ecologicamente Sustentado? MAURÍCIO FARIAS * À crise que vivemos no Rio Grande do Sul, no Brasil, bem como no planeta Terra (nossa casa cósmica) é no fundo a mesma crise ambiental.

É uma crise de modelo civilizatório baseado em tecnologias de alto impacto ambiental, crescimento ilimitado e acrescidos a isso a questão da gestão econômica e política (riquezas e decisões). A idéia de sustentado está ligada a capacidade de sustentabilidade e auto-regulação dentro de um ou entre vários ecossistemas. E desenvolvimento é o tipo de intervenção humana (tecnológica) capaz de transformar o meio ambiente, podendo ser de alto impacto ou de tecnologia branda e renovável ou não renovável.

O modelo predominantemente utilizado no planeta tem sido o de alto impacto e de utilização de fontes de matérias-primas e energias não renováveis. E por insana “casualidade” são os que favorecem maior concentração de poder econômico e - político.

A nossa civilização urbano-industrial absorveu o termo sustentado para a insustentável dinâmica de produção e consumo dos recursos naturais nesta nossa casa (Terra), que são finitos e estão próximos ao esgotamento. No plano da política, as ideologias e experiências do socialismo estatal e capitalismo não resolveram e agravaram ainda mais a crise ambiental pois suas bases industriais são as mesmas.

Neste aspecto devemos priorizar os investimentos em ferrovias do que em auto-estradas, construção de diversas pequenas e médias hidroelétricas do que uma imensa usina, fecharmos Angra I e II e investir em tecnologia solar, investir em biodigestores, reciclagem de matérias primas encontradas nos lixões, produção de alimentos para o consumo interno e não mais a prioridade da monocultura de exportação, reforma agrária tendo como direito de propriedade o uso-fruto e não a propriedade privada, os investimentos sociais do estado devem favorecer as pequenas e médias indústrias, descentralizar a produção de bens, bem como os grandes aglomerados humanos e etc.

Outro aspecto fundamental é o de ecologizar as decisões, devendo caminhar para algum tipo de democracia-direta, cogestão ou autogestão social. Estas experiências podem aumentar em quantidade e qualidade a responsabilidade das pessoas pelos rumos do nosso planeta.

E já que estamos em períodos eleitorais é importante que nos posicionemos no sentido de ver que setores podem favorecer a ampliação dos estados democráticos e que setores não favorecem. Não deixando de lado a independência política de nossas organizações.

Saudações Ecológicas!

* O autor é membro da ADEPAC, roteirista e diretor do vídeo da APN-VG “Gravataí: o Rio que Você Bebe” e padeiro integral.

Como citar FARIAS, Maurício. Desenvolvimento sustentado ou desenvolvimento ecologicament sustentado?. AgirAzul, Porto Alegre, n. 8, 16 de maio de 1994, p. 26. Disponível em: https://agirazul.com.br/Eds/ed8/desenvolvimento-sustentado-ou-desenvolvimento-ecologicamen.htm. Acesso em: .