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AgirAzul 816 de maio de 1994página 22

Depoimento de James Silveira Pizarro: "Não quis ser acusado de utilizar a entidade pra fins eleitorais"

Nota do editor

Texto digitalizado a partir do exemplar impresso e ainda não revisado. Em caso de dúvida, consulte a edição completa em PDF, no link acima.

Na minha atividade docente na Universidade Federal de Santa Maria tive a oportunidade de fundar a disciplina de Ecologia nos cursos de Zootecnia. Engenharia Florestal. Ciências Biológicas. Geografia e Ciências. Também introduzi o conteúdo ecológico no programa do vestibular da minha universidade, o que obriga os vestibulandos (cerca de 15.000 a cada ano) de todas as áreas a entrarem em contato com temas ecológicos. Na rádio da UFSM mantenho no ar, há 16 anos, um programa educativo de conscientização ecológica chamado Antes que À Natureza Morra (título dado em homenagem ao livro de Jean Dorst). Este é uma sinopse do meu lado, digamos, oficial.

A solução da seguradora era verdadeiramente ecológica e não ficaria como uma simples doação mas uma economia de natureza representada pelo aproveitamento de todos os implementos, ou componentes do navio, mais a carga, o que resultaria diretamente menos buracos na mineração, menos desmatamento, menos poluição.

Sera a prática daquilo que o nosso governo, enchendo a boca na Conferência Rio 92 chamara de desenvolvimento sustentável. O governo brasileiro não aceitou a solução sustentável. Tudo que ele assinou e prometeu na Conferência do Meio Ambiente, não sabe praticar. Na hora da prática do desenvolvimento sustentável, nada feito. Nem pensar! Por que os homens comuns são impenetráveis à essas idéias? Diariamente nos deparamos com essa falta de compreensão e impossibilidade de se avançar um centímetro para o verdadeiro desenvolvimento sustentável, através de fatos e práticas nocivas em quase todas as atividades públicas e muitas particulares, principalmente na “manutenção” de margens de estradas pelos rodoviaristas. O assunto da poupança de matérias e seu desperdício é fartamente abordado na literatura ambientalista, que apresenta soluções e posições filosóficas. Mas quem lê? Quem se conscientiza? Quem ajuda? Quase ninguém! É " - DEPOIMENTO Mas, ao longo dos últimos vinte e tantos anos, também mantive persistente militância ecologista. Primeiramente, como sócio e durantes alguns anos, membro do Conselho Superior da AGAPAN - Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural. Depois, como fundador e presidente da Associação Ecológica Irmão Sol. Irmã Lua, de Santa Maria.

À época, já me aproximando dos 50 anos, meio desconfiado de quanto tempo de vida útil me restava, resolvi passar a ter atitudes mais executivas, isto é, tentar colocar em prática as minhas idéias. Por isso, candidatei-me a vereador, pelo PDT, em Santa Maria, com uma plataforma puramente ecologista.

Fui o 4º mais votado entre mais de 300 candidatos. Elaborci mais de 60 leis municipais a respeito do meio ambiente e consegui, na Lei Orgânica do Município, um capítulo completo sobre Meio Ambiente, com o auxílio dos ecologistas da cidade.

Como sempre critiquei as entidades ecologistas que se deixaram aparelhar por partidos políticos (pois entendo que as mesmas devem ter atividade política, porém devem ser transpartidárias), desativei a entidade Irmão Sol. Irmã Lua por uma questão de coerência, pois não queria ser acusado de estar usando a entidade em benefício de meu mandato de vereador.

iores hora de acusarmos OS destruidores mas também fazermos uma autocrítica e vermos quantas vezes nos omitimos. Temos ra brar das autoridades ambientais, dO Ministério do Meio Ambiente, se é que ele existe para outro fim que não só O de mefeneiidas, sem examinar, as folhas de pagamento dos funcionários do IBAMA.

Agora vimos um exemplo completo dessas pessoas. Elas estão no Ministério da Fazenda e se baseiam em qualquer preceito escondido e manejável da legislação brasileira. Esses técnicos disseram aos seus chefes que até por doações, desde que sejam mercadorias, mesmo necessárias e indispensáveis para proteção da natureza, deveria haver pagamento de impostos de entrada.

Todos os superiores ministros da Fazenda e do Meio Ambiente baixaram a cabeça e não pensaram nada. Passado apenas um mês, repete-se a tragédia de forma quase idêntica. Outro navio na costa brasileira, com carga igual mais óleo combustível (o navio Kamari), vai afundar. Absurdamente, para o governo brasileiro a carga vai junto. Desta vez os ecologistas protestaram mas não adiantou pois o Ministério do Meio Ambiente omitiu-se outra vez. Até quando esta política de mesmo sendo possível retirar a carga, O governo prefira o desperdício e a poluição?

* O autor é presidente da PANGEA. Surpreendentemente, há cerca de 60 dias, fui convidado pelo Governador Collares para assumir o. cargo de Diretor Superintendente da Fundação Zoobotânica do RGS. É um complexo que engloba o Jardim Botânico, o Museu de Ciências Naturais do RGS, o Parque Zoológico de Sapucaia do Sul e o Parque Estadual Delta do Jacuí, com cerca de meio milhar de funcionários e pesquisadores.

Aceitei o cargo porque me sinto preparado para o mesmo. E à prática tem mostrado, nestes dois últimos meses, que fiz bem em aceitá-lo. Seria fastidioso e cabotino da minha parte estar enumerando aqui as iniciativas já tomadas. Mas todos aqueles militantes e todas aquelas entidades que já entraram em contato com a EZB nos di timos tempos sabem do que estou falando.

Principalmente sabem.da prioridade ue dou aos mesmos, do acesso desiocedtioa às coisas da Fundação, da inexistência de agenda para entrar em contato comigo e do criativo processo de interiorização ao qual estou submetendo a FZB. Sem falar d E. blicações novas que já estão no prelo CM Criado no meio da gica, amadurecido pela universidade l política, chegou à hora de produzh ade mentos e obras. Sem qualquer tipo de pre conceito. Apenas com: E os olhos wy, para o futuro. voltados militância ecoló- 22.

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Como citar AGUIAR, João Batista Santafé (ed.). Depoimento de James Silveira Pizarro: "Não quis ser acusado de utilizar a entidade pra fins eleitorais". AgirAzul, Porto Alegre, n. 8, 16 de maio de 1994, p. 22. Disponível em: https://agirazul.com.br/Eds/ed8/depoimento-de-james-silveira-pizarro-nao-quis-ser-acusado.htm. Acesso em: .