AgirAzul 816 de maio de 1994página 5
Litoral Norte
Arte Alerta - A Arte se Posiciona
Jorge Herrmann
Texto digitalizado a partir do exemplar impresso e ainda não revisado. Em caso de dúvida, consulte a edição completa em PDF, no link acima.
=== —: RRMANN* JORGE H Os artistas mais uma vez respondem ao apelo dos ecologistas. O “ARTE ALERTA está de volta, desta vez para denunciar a destruição dos ecossistemas litorâneos gaúchos. Em agosto de 1991, um dos integrantes da Comissão de Defesa dos Aparados da Serra. Guilherme Schilling Martins, veio com a idéia aparentemente estranha: levar artistas ao Itaimbézinho a fim de au- Xiliar na defesa da região. Viu-se logo, no entanto, que de estranho a idéia nada tinha. Pelo contrário: revelou-se um poderoso instrumento mobilizador de opiniões e consciências que nos meses seguintes aca- “ bou por ocupar quase que integralmente o tempo da Comissão dos Aparados. Seguiram-se viagens, palestras, debates, reuniões, e uma grande expectativa foi se formando acerca da forma como os artistas traduziriam em linguagem artística a experiência vivida no Itaimbézinho.: O trabalho e a espera fora afinal plenamente recompensados. Em abril de 1992, uma grande mostra artística realizada na Usina do Gasômetro, revelou um rico pai nel onde estava estampada a sensibilidade artística dos gaúchos diante do problema dos Aparados da Serra. Centenas de pessoas visitaram a exposição, e foi visível o quanto do inusitado da proposta surpreen- 4 deu as pessoas. Foi uma experiência da qual muita gente saiu enriquecida. Nossa compreensão a respeito da questão ecológica se ampliou. Pelos olhos dos artistas, fomos conduzidos ao terreno do estético e do espiritual, reforçando enormemente. nossa convicção da importância da luta em defesa dos Aparados.
Essa descoberta nos fez perceber que diante dos valores humanos levantados pela Arte, a tecnocracia se vê sem argumentos. Respeitada pela sociedade como algo fundamental para a evolução da Humanidade, a Arte revelou-se para nós, um aliado capaz de aproximar da questão ecológica, gente que por outros melos talvez fosse muito difícil atingir Dois anos se passaram e o ARTE ALERTA está de volta. A região escolhida é outra, outros também os problemas e talvez até mais graves que os enfrentados pelos Aparados da Serra. Trata-se da Planície Costeira Gaúcha. Região costumeiramente desprezada pelo olhar pouco contemplativo dos veranistas, a Planície costeira é um conjunto de ecossistemas ricos, variados e extremamente frágeis. Destruídos em consequência da mentalidade reinante de que se tratam de paisagens monótonas e desinteressantes, os ecossistemas litorâneos, particularmente os do Litoral Norte, agonizam.
Nessas regiões, a pressão urbanística é quase insuportável. A beleza da região, completamente diferente da exuberância atribuída ao litoral catarinense, tem características tão próprias e surpreendentes, que representou um prato cheio para que o segundo Arte Alerta 1 rápidamente atraísse pessoas interessadas em colaborar para o seu sucesso. Por isso que a idéia de reedição do movimento, surgida numa mesa de bar com duas pessoas, se alastrou e hoje conta com o envolvimento de mais de trinta pessoas, Já ocupando lugar na imprensa, o ARTE ALERTA II novamente desperta expectativas em relação ao que será criado pelos artistas durante as atividades previstas e exposto na Mostra a ser realizada em dezembro na Usina do Gasômetro.
* Quatro regiões particularmente agredidas serão visitadas pelos artistas que atenderem ao apelo do Arte Alerta: Parque de Itapeva. Lagoas Litorâneas. Dunas de Cidreira e Lagoa do Peixe. À intenção é permitir e possibilitar que a reflexão feita pelos artistas, através de sua divulgação, sirva (ye apatia como ariete a fim de que as entidades ecológicas consigam obter resultados práticos em favor destas regiões ameaçadas.
Agora, é metgulhar de corpo e alma na aventura que é a criatividade humana, com sua capacidade de ampliar visões de mundo. O que exatamente vai acontecer na cabeça de cada artista durante todo esse processo, é imprevisível, É uma gestação silenciosa e quase solitária. Um segredo do Tempo e da Arte, que nos será revelado integralmente no momento certo.
O ARTE ALERTA conta com a inestimável ajuda da PANGEA - Associação Ambientalista Internacional, editora do AgirAzul (signatária do projeto) e o apoio de outras entidades ambientalistas, tais como a ADFG-AMIGOS DA TERRA, AGAPAN, UPAN. Cooperativa Ecológica Coolméia, além da Comissão de Saúde e do Meio Ambiente da Assembléia Legislativa do RS.
O ARTE ALERTA veio para incomodar e tirar o sono dos tecnocratas. Seria um desperdício se as entidades não o aproveitarem para ampliar a luta contra os destruidores de nossos ecossistemas. Um lembrete: nenhuma, mas absolutamente nenhuma ajuda será considerada inoportuna. Estamos totalmente disponíveis para recebê-la nos telefones (prefixo 051): 342-7029 (Jorge Herrmann), 224.
5788 (Renzo Bassanetti), 341-7332 (Neusa Sebrão), 241-2904 (João Batista Santafé Aguiar), este último com fax. * O autor é artista plástico e mem-
