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AgirAzul 816 de maio de 1994página 12

Rota do Sol

A hipocrisia oficial, da Redação

Nota do editor

Texto digitalizado a partir do exemplar impresso e ainda não revisado. Em caso de dúvida, consulte a edição completa em PDF, no link acima.

de Cultura e no Grupo Semba de Arte Negra. ROTA DO SOL: “A HIPOCRISIA OFICIAL Ecologistas de Caxias do Sul, na Serra Gaúcha, relatam que, durante um comício do então candidato a governador Alceu Collares na região, este teria dito: “Se algum órgão do meu governo impedir a Rota do Sol, eu mando fechar!”. O fato é que o fechamento de fato da FEPAM é difícil e o que acontece na realidade é seu fechamento branco, que vai de vento em popa. Quem duvidar disso que peça aos Ministérios Públicos estadual e federal informações sobre o número de Ações Civis Públicas em que o órgão ambiental aparece “como réu. Quanto a mentalidade dos empreendedores, constatamos que nada mudou no DAER com relação ao triste período da gestão de Eudes Missio (no governo Pedro Simon): os dirigentes do órgão continuam resistentes a qualquer revisão do antiquado e devastador projeto, cujo traçado proposto - passa por cima de área de Mata Atlântica * genuína e de matas de araucárias. A hipocrisia continua: o poder público estadual orgulha-se da “maior qualidade de vida” no Rio Grande do Sul, mas as atitudes concretas beiram o troglodismo e, se a sociedade não defender-se de seus governantes, essa tão decantada qualidade vai baixar muito.

A respeito da Rota do Sol, representantes do DAER e da FEPAM não se reúnem desde maio de 1993 As entidades ecológicas do Rio Grande do Sul estão acompanhando de perto o desenvolvimento da questão através de articulação da ADFG-Amigos da Terra e APEDEMA, a federação das entidades ecologistas gaúchas.

BARRAGENS DE IRRIGAÇÃO: SOBRA DINHEIRO Todos aqueles que se indignam ao ver o sucateamento da saúde pública, crise dos hospitais, genocídio de crianças pobres e indigentes, etc., devem guardar uma reserva de indignação: além de todos estes desperdícios e corrupções, há fantásticos gastos de verbas públicas em obras para ajudar quem não precisa de ajuda. Em São José do Norte, litoral médio do Rio Grande do Sul, o DEPREC - Departamento Estadual de Portos, Rios e Canais, está canalizando recursos para a Barragem de Barra Falsa que beneficiará o poderosíssimo grupo Joaquim Oliveira S/A (arroz, Supermercados Real, etc.). Em São Sepé, centro do Estado, projeta-se a Barragem Pulqueria, que alagará mil hectares de terras produtivas e mata nativa primária e beneficiará os arrozeiros da região que não teriam problemas com água para irrigação se se dispusessem a investir na redução de desperdícios.

À maior parte das verbas tem ral, em órgãos gestados no governo Sarney ou antes, como o PRÓ-VARZEAS, PRONI Ministério da Irrigação, etc.; aliás, órgãos que passam incólumes pelas denúncias de corrupção e críticas das entidades do movimento social.

A FEPAM, instada por ONGs ambientalistas, dentre as quais a AGAPAN Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural e a Fundação Gaia realizará Audiência Pública para discussão do projeto da Barragem Pulqueria. Aos ecologistas: todos presentes!, Informações sobre assinaturas na página 27 1

Como citar AGUIAR, João Batista Santafé (ed.). A hipocrisia oficial, da Redação. AgirAzul, Porto Alegre, n. 8, 16 de maio de 1994, p. 12. Disponível em: https://agirazul.com.br/Eds/ed8/a-hipocrisia-oficial-da-redacao.htm. Acesso em: .