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AgirAzul 1111 de dezembro de 1995página 6

O caso das rãs que ilustra questões de comércio mundial

Nota do editor

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Menos de 50 rãs são necessárias para manter um O caso das rás que ilusira questões do comércio mundial acre de lavoura de arroz quase livre de pragas; ajudam a evitar a malária é outras doenças; protegem a lavoura € são um agente de controle biológico da mais alta qualidade. Além disso o excremento de rás é um ótimo fertilizante. j Sem as rás, restou aos" agricultores de Bangladesh, o uso de agrotóxicos importados, muitas vezes da pior qualidade, consumindo por ano cerca de 90 milhões de ds. Em 1989 essa importação aumentou em 25%. Dados oficiais demonstram que o governo estava gastando 30 milhões US$ para ganhar 10 milhões com a exportação de suas coxinhas de rãs.

Enquanto os grandes proprietários conseguiam preços reduzidos, os pequenos pagavam cerca de 5 dólares em pesticidas por cada 2 dólares arrecadados com a venda de 100 rãs. Os custos das águas poluídas e dos danos à saúde pública nunca foram - computados. Todo esse comércio; no entanto, ainda se torna mais escandaloso quando se verifica que algumas das firmas exportadoras de rás são as mesmas que importavam os agrodec “Em 1989, o governo de Bangladesh sabiamente cancelou seus contratos. A importação ficou proibida por três anos e já durante o 1º ano a importação de pesticidas baixou em "cerca de 30%, Hoje, passados cinco -.

anos desde então, as empresas de agrotóxicos eos comerciantes de rãs, estão pressionando o governo de Bangladesh para reanimar esse comércio. A Índia também proiblu a exportação de rãs, mas tem-se conhecimento que. a captura continua com um comércio ilegal entre os dois-países e firmas carimbando as coxinhas de rãs como “alimento congelado”.

.0 policiamento é difici, quando não impossível. Enquanto existir a demanda para o Oeste propiciando um lucro rápido, as rãs continuarão a ser sacrificadas.; biente perfeito para a multiplicação de — são - No Rio Grande do Sul também O caso das rás apenas ilustra as questões e mundial. No os danos am produção e trar rãs, madeira dos internacionais, is causados pela te de bens. sejam es OU carne - não No jargão dos economistas, fais custos são “externalizados”, isto é, são sados à saci.

dade em geral ou às futuras gerações, UM CURTO E MORTAL PASSO PARA A DOENÇA Após a rá ser cortada em duas com a lâmina enferrujada e mu: tas vezes suja, as coxinhas ensanguentadas são colocadas em baldes, enquanto que o restante do corpo, ainda com a cabeça é jogada fora e continua viva por alguns minutos, contorcendo-se em dor.

Os meninos que atuam nesta tarefa, às vezes ficam horas nas la vouras e matas, cortando as rãs, As coxas cortadas não são aramazenadas em gelo e nenhuma outra precau-. ção é tomada para que fiquem "frescas”. As coxas ficam infestadas, emptlhadas em baldes num calor escaldante, enquanto moscas e outros insetos as sobrevoam pondo suas larvas. Nos baldes onde ficam as coxas, o sangue: ” aquecido pelo sol torna-se um amelementos patogênicos. Bom apetite!

Tradução de Elenor Sevante, conselheira da da Ter: ra, de texto publicado no Informativo dos Friends of the Earth - Observação: Magda Renner, presidente da da; +. Terra, observa que fá ocoireu uma sk! tuação semelhante no Nordeste do Brasil: Observação Il: Nota da Rev ocorria situação semelhante que está descrita com detalhes na página 189 da livro que traz as crônicas e a história de Henrique Luls Roessler -'A Ecologia no Rio Grande do Sur.

Porto Alegre, Magda Par afirma ques relatório: a) anita o retorno econômico do estímulo internacional via Mercosul; b) subestima os custos continuados de manutenção; desconside- “populações locais; c) não contabiliza os graves prejuízos econômicos à sociedade brasileira em termos de depredação da natureza com a transformação do Pantanal (com uma perda anual de 17 bilhões da metros cúbicos de água) e degradação da hidrologia natural e.dos regimes de chela na malor parte dos rlos atingidos.

A da Terra afirma ainda que o projeto significa novos empréstimos internacionais, au mentando a dependência extema do país. A entidade pode ser contacta da através do fonelfax (051) 332-8884. - did td do xinas: artigo de Zeno Simon - págs. 10 e 11.

Como citar AGUIAR, João Batista Santafé (ed.). O caso das rãs que ilustra questões de comércio mundial. AgirAzul, Porto Alegre, n. 11, 11 de dezembro de 1995, p. 6. Disponível em: https://agirazul.com.br/Eds/ed11/o-caso-das-ras-que-ilustra-questoes-de-comercio-mundial.htm. Acesso em: .