AgirAzul 1111 de dezembro de 1995página 5
As explosões de Muroroa e a decadência da Europa
Arno Kayser
Texto digitalizado a partir do exemplar impresso e ainda não revisado. Em caso de dúvida, consulte a edição completa em PDF, no link acima.
Muroroa ou a Decadência da França País altamente dependente da obsoleta tecnologia nuclear (mais de 60% de energia elétrica do país vem de usinas atômicas) vem agora ressuscitar o monstro do cogumelo atômico. Algo que parecia afastado com a queda do muro de Berlin e a abertura do leste europeu. Na verdade, é o ressuscitar da verdadeira cara da indústria nuclear que é antes de mais nada uma indústria de guerra. Parece clara a intenção de recuperar pela força militar 0 que a nação vem perdendo no plano espirituai e econômico, Neste sentido, vimos aqui de nossa terrinha somar nossa voz. aos milhões de protestos no mundo todo conira esta loucura francesa, que acende um pavio muito perigoso.
Felizmente, a maioria das pessoas no mundo tedo concordam que o uso da energia nuclear é algo que tem que ser riscado do mapa e os poucos fanáticos por ela, devem ser aposentados de seus postos de comando. Aproveitamos este artigo para registrar que no mesmodia 14 de julho, quando os ecologistas atacavam a base francesa, os Monitores Ecológicos realizavam seu Festival de Criatividade, em Novo Hamburgo. Um evento fantástico em que mais de 300 pessoas manifestaram com arte seu amor pelo planeta e seu compromisso com a sua defesa. Evento entre outras coisas que foi uma resposta da nova geração às idéias caquéticas e belicistas de uns poucos. Uma amostra do que devemos ocupar nosso tempo no futuro, ao invés de espalhar a morte, com criatividade defender a vida.
* O AUTOR É ENGENHEJRO-AGRÔNO- MO, ESPECIALISTA EM ECOLOGIA, PRESIDENTE DO MOVIMENTO ROES> SLER DE DEFESA AMBIENTAL, Novo HAMBURGO, RS, Nem montadoras de automóveis, nem bombas atômicas! JoÃo Maurício FARIAS Enquanto nosso, infelizmente, governador andava pelas ruas de Paris a oferecer vantagens e qualidades do nosso Rio Grande do Sul para trazer uma montadora de automó- “veis, q Ditador francês Chirac testava suas bombas atômicas, nos mares das mais belas ilhas do planeta.
Talvez o que explique este ato insano do governo e militares franceses seja algum tipo de complexo de inferioridade internacional. A necessidade de mostrar poder é exercida por quem duvida de seu próprio poder. De outra parte, buscar geração de riqueza e empregos via implantação de uma indústria automobilística, no mínimo, mostra estarmos na contramão da história e fora da "modernidade" tão propalada pela mídia e governos, Em horas em que muitos carros saem às ruas, o trânsito de Porto Alegre transforma-se em caos.
“INVESTIDAS INOPORTUNAS Estagnado. O trânsito de São Paulo fica engarrafado em todas as horas do dia. Todas as tentativas de melhorar o tráfego de automóveis são muito caras e paliativas. Pontes, elevadas, túneis, perimetrais são iniciativas de empurrar os problemas com a barriga.
A utilização e a indústria de transporte individual ou de poucas pessoas é ecologicamente insustentável. Diante desses motivos e pelo completo desrespeito à vida do planeta demonstrado pelo Ditador francês, afirmamos que AS INDÚS- TRIAS AUTOMOBILÍSTICAS FRAN- CESAS NÃO SÃO BEM VINDAS AO NOSSO RIO GRANDE DO SUL.
Queremos que nossos goverrios e indústrias busquem investimentos para a fabricação de TRENS elétricos ou com outras energias menos poluentes que o petróleo. Assim, investindo-se no transporte coletivo ecologicamente mais sadio, estaremos no caminho da sustentabilidade da vida na Terra e em dia com a “modernidade”.
*O AUTOR É MEMBRO DA APN-VG, PANIFICADOR INTEGRAL, ROTEIRIS- TA E VIDEASTA. [HISTÓRIA
