AgirAzul 1111 de dezembro de 1995página 10, 11
Dioxinas
as evidências terríveis se acumulam e as pressões aumentam
Zeno Simon
Texto digitalizado a partir do exemplar impresso e ainda não revisado. Em caso de dúvida, consulte a edição completa em PDF, no link acima.
Entretanto, os órgãos amblentais responsáveis pelo licencia- 'Dioixinas: as evidências terríveis se “acumulam e as pressões aumentam mento desdenham da ameaça da eclosão de trágicos problemas de saúde pública a longo prazo por efeito da acumulação insidiosa de dioxinas no ambiente e nos alimentos, fornecendo licenças ambientais com relativa facilidade e escassas referências às dioxinas. Casos análogos em Porto Alegre são os incineradores de alguns hospitais (alguns infelizmente em zonas densamente povoadas como o. Hospital de Clínicas), e a queima continuada de resíduos orgânicos nas caldeiras do Hotel Plaza São Rafael, em plena zona central, assunto que se arrasta na justiça e é motivo de vergonha para o Rio Grande do Sul (Nota do Editor: as ordens e contraordens deste episódio serão contados no próximo número do AgirAzul. Na época do fechamento desta edição, as caldeiras foram finalmente lacradas por ordem judicial).
Todas essas queimas não têm qual quer acompanhamento específico quanto a emissões insidiosas (dioxinas e metais). Os incingradores de lixo hospitalar são motivo de máxima preocupação: em estudo de dois anos do No Rio Grande do Sul, as poucas investigações em “leite materno - - (metais, não dioxinas) têm seus resultados trancafiados nas gavetas do Centro de Ecologia da.
UFRGS. Instituto de Pesquisas da Agência Ambienta) da Dinamarca, publicado: em 1990 pela revista Chemosphere, mostrou-sa que os incineradores hospitalares contibufam com 30% da poluição por dioxinas e furanos, apesar de gerarem apenas 1% do total de resíduos (hospitalares + domésticos).
No Brasil, o único programá de monitoramento empreendido com o fim específico de se detectarem dioxinas e furanos foi coordenado pela FE- PAM, órgão ambiental gaúcho, e abrangeu o lago Gualba e pontos pró- * - ciarem programas de investigação cenças da RIOCELL continuam valen- * do (embora as da duplicação estejam ximos, como condição para o li licencia. mento da duplicação da indústria do papel e celuiose RIOCELL, em 1999 Ictado Pela FEPAM, 2aoperação Alemã) e pela própria Riocell, com Pequena participação da COPESUL., o foi extremamente detectadas dioxinos. Muitos técr ambientalistas levantaram dúvidas sobre a validade científica dos métodos adotados pelo re ico Krauss, da Universidade de Ti responsável sema exscuição das anáii ses: foram detectadas dioxinas em nt veis preocupantes em diversos pontos monitorados dos corpos d'água, mas muito baixos no efluente da Riocell, a qual teve completa ingerência sobre as condições de coleta das amostras. Há aproximadamente um ano, porém, uma única análise feita na Universidade de Aachen (Alemanha), já ao longo do monitoramento suplementar da FE- PAM e por sugestão do representante da GTZ no órgão ambiental, acusou concentração significativa da mais tóxica dioxina (a 2,3,7,8-TCDD) no efluente - um valor:3 vezes acima do limite de detecção. Infelizmente a FEPAM não considerou significativo esse dado e voltou a encomendar as análises ao controverso Prof. Krauss, das entidades Mais preocupante é o resulta do prático dessas constatações até agora: NENHUM! Ao invés de se inimais detalhados, visando à detecção das fontes emissoras das dioxinas e - dos seus níveis nos alimentos, tecidos humanos e principalmente leite materno, fez-se novamente o silêncio. As Il - Sub judice), as outras fontes poluidoras industriais prováveis continuam: desobrigadas de monitorar dioxinas e os incineradores continuam poluindo.o ar. - O trais preocupante dessa investigação é o fato de que, sendo as dioxinas compostos hidrofóbicos, sua É detecção em frações aquosas dos ecossistemas indica que concentra- “As Explosões de Muroroa - pág. 5
