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AgirAzul 1111 de dezembro de 1995página 5

A mentira que Miterrand não pode ocultar

Nota do editor

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Miterrand não pode ocultar Dez anos depois, as circunstâncias se repetiram. Em 10 de julho de 1985, o barco Rainbow Warrior (Os Guerreiros do Arco-Íris), da GreenPeace, estava nos mares do sul para opor-se a testes nucleares franceses. Em 1995 seu sucessor, Rainbow Warrior Il, aproximou-se do Atol de Muroroa e acabou sequestrado pelas forças armadas da França.

Em 1985, tudo acabou em tragédia. Bombas francesas, colocadas por uma equipe profissional apoiada pelo serviço secreto, afundaram o primeiro Guerreiro do Arco-Íris, matando o fotógrafo português Fernando Pereira que tentou ainda salvar seu equipamento de trabalho. Havia uma festa a bordo do barco, estacionado no porto de Auckland, Nova Zelândia, e a maioria conseguiu saltar para a água.

Abusando de cinismo governamental, o primeiro-ministro francês à época, Laurent Fabius, distribuiu nota condenando o “criminoso atentado”, A França era a principal interessada no desaparecimento do barco. Em seguida, a polícia neo-zelandesa deteve quatro agentes secretos franceses que haviam entrado no país com nomes falsos. Mas todos tinham álibi, Foi um Jornal francês, Le Monde, que desvendou o alto segredo: havia uma terceira equipe, formada por submarinistas da Armada, que acabaram colocando as bombas (e continuam no serviço ativo).

François Miterrand que aprovou a operação e conhecia todos os detalhes comportou-se como de costume: como uma esfinge. Demitiu o Ministro da Defesa e o Diretor-Geral da Segurança do Estado. Foi só. Só, não: dizem que o ex-presidente, que aposentou-se em 1995, nunca mals leu o Le Monde.

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Como citar AGUIAR, João Batista Santafé (ed.). A mentira que Miterrand não pode ocultar. AgirAzul, Porto Alegre, n. 11, 11 de dezembro de 1995, p. 5. Disponível em: https://agirazul.com.br/Eds/ed11/a-mentira-que-miterrand-nao-pode-ocultar.htm. Acesso em: .